Sociedade Brasileira de Pediatria Lança Campanha De Incentivo À Vacinação De Gestantes

Fonte: Socieddade Brasileira de Pediatria

Aconteceu na manhã desta quinta-feira (8 de março de 2018), no Rio de Janeiro (RJ), o lançamento oficial da campanha “Calendário de vacinação da gestante: um sucesso de proteção para mãe e filho”. O projeto, idealizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), com apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), tem o objetivo de melhorar a cobertura vacinal entre as futuras mães. O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia também apoiam o projeto, amadrinhado pela atriz Juliana Didone.

Segundo o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, dr. Renato Kfouri, a iniciativa tem impacto direto na saúde da população pediátrica. “A saúde da criança começa dentro do útero. Infelizmente, a cultura de vacinar as gestantes ainda é pouco disseminada. A grávida, quando imunizada, transfere os anticorpos que produz para o bebê. A partir dessa prevenção, muitas doenças podem ser evitadas, como rubéola, hepatite B, tétano, entre outras”, destacou.

De acordo com o especialista, os pediatras têm papel fundamental na disseminação desse conhecimento. “Hoje temos um calendário de vacinas especial para as grávidas, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), mas parte significativa da população desconhece essa informação. A SBP apoia a inciativa, pois entende que os pediatras podem contribuir fornecendo orientações às famílias, visto que o benefício final é a prevenção da mãe e do bebê”, comentou.

Atualmente, a cobertura vacinal de gestantes é considerada insatisfatória no Brasil. Nos últimos dois anos, a adesão à tríplice bacteriana acelular (difteria, tétano e coqueluche), por exemplo, chegou a apenas 34%. A iniciativa lançada no Dia Internacional da Mulher inclui a distribuição de 2 milhões de folhetos, 180 mil cartazes, material para apoiar os médicos no momento da consulta em Unidades Básicas de Saúde de todo o país.

Além de materiais impressos, a ação prevê também a inserção do tema em relógios de vias públicas e a divulgação de todas as peças e conteúdo informativo no site Vacinas Para Grávidas, onde os internautas terão acesso a um e-book sobre o tema, e em uma página especial no Facebook. A estimativa é a de que as ações na internet atinjam cerca de 19 milhões de exibições.

CONSCIENTIZAÇÃO – Na opinião da presidente da SBIm, dra. Isabella Ballalai, é necessário levar conhecimento à população, que ainda não tem total consciência sobre a importância da imunização para a saúde da mulher e do bebê que está por vir.

“Infelizmente, muitas pessoas imaginam que as gestantes não podem se vacinar. Não é verdade, algumas vacinas são especialmente recomendadas para elas. Os anticorpos gerados pela vacinação as protegem e são transferidos para o bebê pela placenta e, posteriormente, pelo leite materno”, destaca a médica.

As vacinas indicadas para todas as grávidas são a influenza (gripe), a hepatite B, a dupla bacteriana do tipo adulto (DT) e a tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa), contra a difteria, tétano e coqueluche. Todas estão disponíveis nas redes pública e privada.

“Enquanto não terminam o próprio esquema de vacinação contra a coqueluche, ou seja, por volta dos seis meses, as crianças são mais suscetíveis à morte pela doença, na maioria das vezes assintomática em adultos. A vacinação de gestantes e dos contactantes é uma estratégia mundial para prevenir a infecção em bebês”, explica. Em determinadas situações epidemiológicas, outras vacinas podem ser prescritas após avaliação médica.

DADOS RELEVANTES – Alguns dados nacionais confirmam a importância da imunização das mamães. Em 2017, por exemplo, gestantes, puérperas (45 dias após o parto) e crianças com até cinco anos responderam por 11,4% dos óbitos por influenza entre pessoas com fatores de risco no Brasil. A fase mais crítica para o bebê é nos seis primeiros meses de vida, ou seja, antes da primeira dose da vacina. Estudos apontam que as chances de internação em UTI nesse período são 40% maiores se comparadas às de crianças entre seis meses e 12 meses.

No caso da coqueluche, dos 2.955 casos registrados no País em 2015, 1.850 (62,6%) aconteceram em menores de 1 ano. Das 35 mortes, 30 foram em menores de três meses.

Além disso, aproximadamente 11% dos casos de hepatite B verificados no Brasil entre 1999 e 2015 ocorreram entre gestantes. A transmissão vertical (mãe-filho), com 6,2% do total, é uma importante fonte de infecção. Outro dado relevante aponta que, cerca de 90% dos recém-nascidos que contraem hepatite B durante o parto desenvolvem a forma crônica. Em adultos, o índice é de 10%.

Já o tétano neonatal matava 6,7 a cada 1.000 nascidos vivos no fim da década de 1980, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Graças às políticas de vacinação, apenas 15 países ainda não conseguiram eliminar a doença. A região das Américas alcançou essa conquista em setembro de 2017.

*Com informações da SBIm

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